A preguiça vinha me fazendo adiar escrever sobre minha viagem das férias de páscoa (como já expliquei, aqui as férias não são organizadas entre os semestres, e sim divididas nos períodos de Natal e Páscoa), mas finalmente estou fazendo-o.
Desde janeiro, Doug (inglês que divide o flat comigo) e eu planejávamos fazer uma viagem à terra do Papai Noel, mas o frio que fazia aqui nos dizia que deveríamos esperar mais um pouco para ir mais para o norte. Depois de alguns meses economizando e pesquisando sobre lugares, ajeitamos tudo para ir a dois dos países que fazem parte da região: Noruega e Suécia. Por ter sido uma viagem de 10 dias, com milhares de fotos e passagens engraçadas e no mínimo curiosas, não da pra descrever nem 10% aqui, seria longo demais. Decidi então selecionar algumas fotos e apenas ir falando da viagem de acordo com as mesmas.
Saímos do aeroporto de Liverpool numa sexta-feira a noite, chegando duas horas depois em Sandefjord, na Noruega. Passamos a noite no aeroporto esperando o primeiro ônibus (e primeiro sinal de vida) até a estação de trem. Meio cansativo, mas foi a única opção, era o único vôo barato da Ryanair disponível, a passagem custou 1 centavo ida + 1 centavo volta + algumas taxas. Vale o sacrifício. Quando o dia começou a amanhecer, pegamos o trem. Viajar e passar a noite no aeroporto, só resultou em uma reação ao embarcar no trem:

Nosso destino era Bergen, uma cidade pequena na costa oeste no país. Considerando que Sandefjord fica na costa leste, sabíamos que seria uma longa jornada cruzando toda a Noruega. Foi esse um dos motivos de querermos ir a Bergen. O trem sai por meio das montanhas geladas, túneis, beirando precipícios, leitos de lagos, e principalmente pelos Fiordes (formações rochosas, como se fossem montanhas, formadas pela erosão ainda na era glacial. O mar avança por dentro dos fiordes tornando a paisagem incrível. Dê uma olhada no mapa da Noruega, na região oeste, e dará pra ter uma idéia do ponto de vista geográfico do que descrevo). Bergen fica situada bem no meio de uma das maiores concentrações de fiordes. Só por curiosidade, é a terra da banda Kings of Convenience (alguém conhece ou apenas eu gosto?). Ah, não posso esquecer de dizer: Neve, MUITA neve.
Crente que seria possível dormir boa parte da viagem, fizemos a primeira troca de trem. Nós tínhamos adquirido um passe europeu de trem, que nos dá direito a viajar em quase qualquer trem do continente em um espaço de 10 dias. O que não sabíamos, é que precisávamos fazer uma reserva de assentos para um tipo específico de trens, no caso, esse segundo que nós pegamos. Todos os vagões estavam lotados, e os poucos assentos livres estavam reservados. Eu e Doug demos uma de doidos e sentamos mesmo assim. Durante praticamente toda a viagem (8 horas), o cobrador de bilhetes passava após cada parada em uma estação. As estações de trem coincidiam com as de esqui, e em toda parada subiam e desciam mais de 596867686968473 pessoas com esquis, pranchas de snowboard, equipamento de escalada em neve e cachorros, muitos cachorros. O cobrador então saía pedindo os tickets, e toda vez que nos via, dizia educadamente “vocês infelizmente não possuem uma reserva senhores, não poderão permanecer nesses assentos que estarão ocupados”. Essa era a forma educada que ele tinha de falar “na próxima estação desça, ta lotaaaado esta merda aqui, não tá vendo não?”. A gente fingia que não entendia, e apenas trocava de vagão. A cena se repetiu após todas as paradas, e chegou a um ponto de não dar mais para tapear e o jeito foi viajar em pé andando pelos vagões. Creio que nos últimos quilômetros eu andei tanto quanto o trem, praticamente uma viagem a pé. Foi engraçado e proveitoso, afinal, o que víamos lá fora era incrível. Mas o sono acumulado da noite no aeroporto tava matando, e me deu uma revolta quando vi uma senhora que tinha um assento reservado para um cachorro. Eu em pé, ele sentado na cadeira bem confortável. Por alguns intantes tive vontade de jogar algum daqueles esquis na cabeça dele, mas depois abstraí. Abaixo algumas fotos da viagem no trem:



Finalmente chegamos a Bergen, no meio da tarde, e antes de descer do trem, pensei como seria bom que todos aqueles cachorros tivessem um ataque epilético e morressem asfixiados (brincando, se Cibelle ler isso ela me mata!). Como dormir é pros fracos, fomos rodar pela cidade. A cidade é bem legal, tipo uma João Pessoa, coisas de uma cidade grande inserida em um ambiente de interior. O frio era estupidamente maior do que o que já senti antes, mas como eu parecia uma cebola, várias cascas de roupa, dava pra desenrolar. Ao anoitecer fomos procurar nosso albergue, que por sinal era no alto de uma das colinas (afinal, tá na chuva é pra se molhar, queríamos ver os fiordes de perto também!). Uma foto do alto da colina na manhã seguinte, com a cidade ao fundo:

O dia seguinte tiramos para conhecer tudo melhor, parar em lojas (só para olhar é claro), bares e tentar interagir com gente norueguesa. Foi um dia de sol (sinônimo de mais frio, por incrível que pareça), bem agradável, que fez com que nossa passagem por Bergen fosse bastante proveitosa. Muitas fotos, quem realmente se interessar, vá lá em casa olhar depois
As 22:00 pegamos o trem fazendo o caminho de volta para a costa oeste, desta vez para a capital Oslo. Daí em diante não deixamos de reservar o trem nenhuma vez hehehehe… e sempre viajávamos a noite, pois dormíamos no próprio trem economizando estadia, e também não despediçaríamos as horas do dia viajando. Chegamos a capital norueguesa já ao amanhecer.
Oslo é uma cidade muito legal, muito o que se ver. A exemplo do palácio real aí embaixo (SIM, EU ESTOU NA FOTO, SENTADO):

Descendo da praça do palácio, você se depara com a principal rua turística da cidade. Vários bares, cafés, restaurantes, muita gente bonita, carros caros, etc. Passamos e paramos para tirar uma foto, logo em seguida saímos correndo enlouquecidamente de lá com medo dos preços. Vale ressaltar que Oslo é reconhecidamente a cidade mais cara do mundo, ganhando de Londres, Paris, Nova Yorque, Tóquio e etc, o que justifica o fato de nossos cafés da manhã, almoços e jantares terem sído constituídos de pão com salsicha ou miojo, todos os dias. Abaixo fotos da rua, e de uma fonte congelada e transformada naturalmente em pista de patinação (que queda eu ia levando viu mestre, doug bateu a foto mesmo na hora, não é fingindo não):


Na parte alta da cidade, além disso tudo, há também um parque de esculturas humanas muito interessante, passamos uma manhã inteira lá. Indo para a parte baixa, também há muito o que se ver. O primeiro foi a sede do Prêmio Nobel da Paz, abaixo:

Também lá está uma fortaleza muito parecida com a de Santa Catarina, em Cabedelo, mas no seu interior há um museu da segunda guerra mundial, muito interessante, com até aviões da guerra, armas reais (torpedos de submarino inclusive), e história em geral. Sim, o prédio da prefeitura também é um show a parte. Depois de passar um bom tempo olhando para o mesmo, viramos de costas e nos deparamos com a marina, foto abaixo:

Lá havia um passeio de barco no meio dos fiordes, atravessando um braço do mar que adentra a Oslo e chegando em outra parte da cidade. Pegamos o barco e chegamos nas proximidades do Museu Viking (para quem não sabe, os países nórdicos são o berço da civilização Viking). Muito bom, e pela primeira vez algo que tinha precinho especial para estudantes. Lá dentro, esse navio resgatado do fundo do mar:

Falando em museu, no dia seguinte fomos a outro, em homenagem ao maior artista da terra, Edward Munch, pintor de, entre outras telas, a famosa “O Grito”. Pena não poder tirar uma foto ao lado, mas só para lembrar qual é, eis a mesma:

Também há várias outras telas, e todas lembram bastante esta daí. Sinceramente dava para ver que ele era meio deturpado, cada quadro mais triste que o outro (ok, não entendo nada do assunto, mas que depressão viu mestre!).
Passados 3 dias em Oslo, hora de mudar de país. Tiramos um cochilinho na estação de trem ,depois de ter passado o começo da noite andando com duas alemãs muito simpáticas que conhecemos no albergue, até chegar a hora de partir para a Suécia.
Já era manhã quando nosso trem chegou à CONGELANTE cidade de Estocolmo. Desde a estação, ficávamos procurando alguma mulher qualquer na rua com quem não casaríamos, mas não encontramos. O povo lá é realmente muito bonito, vou até perguntar depois à minha mãe se não tenho alguma descendência sueca, fiquei suspeitando que sim, venho de alguma linhagem nórdica.
Estocolmo é um lugar ímpar, diferente de tudo que já vi. A cidade é praticamente dentro d`água, dividida em ilhas. Vide fotos abaixo:




Depois de sair da estação,decidimos nunca mais reclamar do frio na Inglaterra. A temperatura era de doer nos ossos, não importa quantas camadas de roupa. E isso só piorava em um dia de sol, pois o céu ficava limpinho e azul, não tendo as nuvens que causam uma espécie de efeito-estufamantendo um pouco o ar quente na terra. Rodamos muito entre as ilhas, uma mais comercial, outra a cidade antiga, outra residencial, e por aí vai…
Também fomos ao palácio real, no qual presenciamos a troca da guarda (não é só em Londres, tá vendo?), foto abaixo:

Até que demorou um pouquinho e foi interessante de assistir. Depois de conhecermos bem a cidade no primeiro dia, decidimos que ao contrário de Oslo, onde aproveitávamos o dia, em Estocolmo iríamos curtir a noite. Fizemos amizade com dois alemães no albergue, donos de um inacabável estoque de uísque (do bom!), tinham umas 5 garrafas no armário que tinham comprado no free shop do aeroporto. Conversa vai conversa vem, se brincar tomamos mais uísque que eles. Gente boa os dois viu, não sei de onde João Luiz tirou que o povo da Alemanha é chato! Ok, podem me chamar de “poiva”, aproveitador, e tudo mais, mas somos estudantes lisos, fazer o quê?
Fomos os quatro atrás de uma balada boa nas duas noites que passamos por lá. A primeira dificuldade era que a maioria dos estabelecimentos não permitia a entrada de menores de 23 anos, então sempre Doug era barrado. Encontramos uma que deixou, e chegando lá dentro parecia outro mundo. Grande demais, e o povo vindo diretamente da revista “Caras”. 4 estudantes maltrapilhos, de jeans, tenis, camisa de malha e sem dinheiro na carteira (uma cerveja long neck custava na faixa de 20 reais, vai assaltar tua mãe!), logo concluímos que lá não arranjaríamos nada. Conversamos então com o porteiro e ele indicou um lugar mais “jovem e acessível”. Fomos a uma boate que funcionava dentro de um barco parado, em uma das ilhas. Lá dentro o ambiente era bem mais adequado a nós, e resolvemos entrar.
Quase enlouquecíamos no interior, a mulher mais fraquinha e horrível de todas, tinha corpo de Ivete Sangalo e rosto de Gisele Budchen (morra de inveja Reginaldo). Pra piorar (melhorar), elas fingiam que você é um daqueles postes de “pole dance” (que stripers usam para dançar), e dançavam com todo veneno se esfregando na pessoa. Sem entrar em maiores detalhes, a noite foi boa.
Em nosso último dia na Escandinávia, eu fiz questão de ir visitar o Rasunda Stadion, estádio de futebol onde Brasil e Suécia jogaram a final da copa do mundo de 1958. Nevava que só a bixiga-taboca-do-stopô-balai-da-gôta-serena, e o melhor jeito foi pegar o metrô. Para minha surpresa, o “subway” de Estocolmo é muito interessante, como se fossem cavernas naturais. Seguem as fotos do mesmo, alem das do estádio, e da neve que me fez decidir ir por baixo da terra:






Acho que é isso. Já falei demais, e ainda nem consegui contar nada. Mas é até bom, senão não terei estórias para contar depois quando me perguntarem…
Depois disso tudo voltamos para casa, lar doce (e “quentinho”) lar.