É eu sei, muito tempo sem atualizar isto daqui, algumas reclamações por e-mail, outras pelo msn, outras até no próprio blog. Nos últimos dias estive muito atarefado, quem já foi ou é estudante universitário sabe como é final de semestre… Mas vamos lá:
Um assunto que acho ainda não ter tocado neste blog é o tal do dinheiro. Durante esse ano de estudo fora do país, cada “PIANIsta” tem sua maneira de se virar. Uns trazem o próprio dinheiro, outros são bancados pelos pais, outros se viram trabalhando por aqui. Há ainda os que usam uma mistureba de todos esses anteriores. Quando estava em João Pessoa comecei a me planejar direito para isso alguns meses antes da prova de seleção, ou seja, de lá para a véspera da viagem, mais ou menos um ano de planejamento. É um tempo razoável, dá para se organizar bem.
Porém, por mais que você traga reais, os gastos são muito desproporcionais. O custo de vida em Manchester é relativamente baixo para aqueles que vivem e ganham dinheiro aqui. Mas na hora de converter de Reais para Libras, aqueles 400 reais tão suados de um mês de trabalho (era o que eu ganhava e o que a maioria dos estagiários ganham em média mensalmente como bolsa de estágio) praticamente voam. Logo você realiza que está torrando dinheiro muito fácil (imagine por exemplo pagar 2,50 libras em um sanduíche, sabendo que está gastando 10 reais, que dor na consciência e no bolso!). E é aí que entram os trabalhos por aqui.
Esse é um dos fatores a se considerar ao decidir o local a ir, pois, caso você pretenda trabalhar, em alguns países pode encontrar sérias dificuldades para achar até algum bico. Manchester (e creio que a Inglaterra como um todo) é uma cidade que oferece muitas oportunidades para estudantes interessados em trabalhar. Estou sempre em contato com meus colegas em outros países, e constatei que nesse sentido não há lugar melhor do que aqui.
Há sempre lanchonetes, lojas, bares e afins interessados em contratar estudantes para part-time jobs (empregos mais flexíveis, onde você não tem que ficar lá o dia todo nem todos os dias, apenas nas horas vagas). Há também as agências de emprego, onde você pode se cadastrar assim que chegar e estar trabalhando na primeira semana.
Atualmente estou trabalhando no Old Trafford, estádio do Manchester United. Sou contratado para trabalhar como garçom em eventos, em sua maioria jogos, no restaurante VIP do estádio. Uma das vantagens para mim neste emprego é poder escolher em quais eventos trabalhar, e assim não comprometer meus estudos. O trabalho é tranquilo e é uma grana razoável, recebo por hora trabalhada, e sem sacrificar meu tempo dá para ajudar nos gastos aqui até o final do intercâmbio. A única “desvantagem” é o fato deste trabalho não me acrescentar em nada com respeito a minha área profissional (ciências da computação). É por isso que estou sempre distribuindo currículos pelos quatro cantos da cidade, em lojas, empresas e agências. Seria legal ter uma experiência no ramo trabalhando aqui.
Pelo que me falaram antes de vir, e combinando com o que tenho constatado pessoalmente, instituições do Reino Unido tem uma política um pouco diferente em respeito a isso. Se para esses empregos citados anteriormente sobram vagas, o mercado de trabalho para graduados em cursos superiores é mais restrito. Vagas não faltam, mas dão sempre prioridade a quem é inglês ou de algum país da união européia, ou ainda que pelo menos tenha residência fixa aqui.
Até agora a melhor proposta que recebi foi de uma loja de informática em um shopping da cidade, oferecendo uma vaga como consultor técnico. Achei bastante interessante, principalmente pelo fato de poder praticar bastante meu inglês mais formal e técnico. Porém o horário de trabalho está meio que apertado, dando choque com a universidade, e acho que só irei ver isso no segundo semestre, quando puder reorganizar minha agenda semanal. Por enquanto continuo onde estou, o que não é ruim. Pelo contrário, tá indo muito bem obrigado
Por hoje é só, até a próxima.
P.S.: Tio France, agora não tem mais do que reclamar, pelo menos até o final de semana hehehehehe… Abraços!